Mayre Barros Custódio Vigna

O tema namoro é muito interessante para esclarecer determinadas atitudes das crianças.
Minha experiência leva-me a afirmar que assim como todo o comportamento de uma criança, o namoro desde muito cedo é influenciado pelos pais. Presencio famílias em que a criança jamais toca no assunto namoro, outras famílias os próprios pais é que afirmam que a criança está namorando. O que fazer?
Na verdade nada. Se a criança naturalmente demonstra algum tipo de sentimento pelo colega, o que é perfeitamente natural, principalmente quando a criança é filho único, sentindo a necessidade de estar com alguém, os pais devem ouvir o que criança tem a dizer, se interessar pelo que a criança está informando, mas jamais estimular.
Geralmente as meninas apresentam com maior freqüência esse comportamento. Na verdade as mulheres são eternas românticas...Acompanham novelas, gostam de músicas românticas, ouvem histórias de princesas, etc. Ora, também querem um príncipe para elas.
Esse sentimento precoce acontece com significativa freqüência e porque não devemos estimular se é um comportamento natural? Justamente porque não existe nenhum tipo de problema no fato da criança estar afirmando que gosta ou namora algum amiguinho. Esse é o sentimento da criança. Essa informação não é motivo para pais comprarem presentes no dia dos namorados, convidarem para festas sempre o parceiro, evidenciando uma relação, falar a todo instante olha ela ou ele está namorando e a criança usando fraldas!
Essas não são atitudes de crianças, são atitudes de adultos, estimulando a criança a viver uma fase que ela ainda não está preparada para viver.
Se eu namoro, eu beijo na boca...
Se eu namoro, eu vou dormir junto... (igual papai ou na televisão)
Se eu namoro, vou ficar nua com meu namorado...
Os limites de fantasia na criança são infinitos. Se meus pais dizem que ele é meu namorado, compram presente, etc, então ele é meu. O sentimento espontâneo e natural pode começar a se tornar sentimento de posse.
Ela ou ele não pode conversar com amigos, só pode andar de mãos dadas comigo, a criança deixa de participar de determinadas brincadeiras se o namorado não está junto, não realiza atividades se o suposto namorado faltou à escola, inclusive a criança chega a fazer cenas de ciúmes e há pais que acham isso lindo!
Chega um belo dia que esse namorado(a) não quer mais brincar de ser namorado(a). A fase passou e a criança cansou. Se os pais encararam desde o início tranqüilamente esse sentimento, dão apoio à criança, ajudam no que é possível, tudo bem. Novas fases e diferentes novidades surgirão. Mas se ao contrário, os pais estimularam ao máximo essa fantasia, cuidado, pois cabe a pergunta: o que fazer?
Eu já presenciei crianças que ficam doentes porque o “ex” está namorando outra, não comem, choram, não querem mais participar das aulas, querem mudar de escola....E o que é pior os pais se envolvendo, terminando amizades de anos por conta de um sentimento que era natural e foi estimulado de maneira desnecessária.
Pais e educadores: não achem lindo. Sua filha ou filho te informou que está namorando. Ótimo. Diga a ela quem é seu namorado? É tal pessoa. Faça um breve comentário se achar que deve, principalmente questione: você não é muito nova(o) para namorar? Você ainda é a criança do papai... tem bastante tempo ainda para você brincar, estudar, crescer e depois namorar.
Porque querer saber se o genro ou nora é do maternal III, quem são os pais dele, se ele mora na sua rua, etc. por favor deixem seus filhos viverem cada fase naturalmente. Que tal estimulá-los a lerem livros? Levá-los ao teatro? Parar tudo que estão fazendo e dedicar um pouco mais de tempo para abraçar os filhos, beijá-los, demonstrem vocês pais, que estão enamorados por seus filhos. Acreditem, será muito mais gratificante.
Mayre Barros Custódio Vigna
Pedagoga – Psicopedagoga
E-mail: pedagogico@didatica.com.br
Tel. (0xx11) 6955-6899

Fonte:
Publicado no site:
www.eaprender.ig.com.br



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