Luciana Ibri

No presente texto, dedicaremos atenção especial aos pais que vivem intrinsecamente os caminhos junto com seus filhos especiais. Participando, decidindo, lutando, se emocionando...
O Inicio Inesperado

Nenhum pai ou mãe planeja ou espera receber uma criança que apresenta características excepcionais, seja no nascimento ou posteriormente. A surpresa é sempre grande e geralmente segue acompanhada de sentimentos como frustração, descontentamento, perplexidade, tristeza. Com o tempo e com a confirmação do diagnostico, os pais tendem a se conformarem e se adaptarem a criação do filho que ainda lhe reservará outras surpresas.
A primeira questão que observo causar grande perplexidade nos pais, é a falta de compreensão das características especiais do filho, que podem ser físicas, mentais e emocionais. A dificuldade de compreensão deve ser esclarecida pela informação e apoio de profissionais capacitados e a partir desse momento os pais poderão direcionar com mais consciência a vida do filho, inclusive direcionando a própria criação familiar, o que todos concordamos ser o mais importante na vida infantil.

Caminhando
Conhecendo o direcionamento inicial, os pais junto ao filho tem um amplo e complexo caminho a percorrer que inclui entre outras questões: encontrar uma escola adequada em que seu filho possa se desenvolver integralmente; considerar seu encaminhamento profissional, quando possível; investir em terapias especificas que o auxiliem a superar dificuldades e manifestar de modo crescente as habilidades; criar uma rotina diária que inclua as necessidades especiais. Durante esse percurso, dificuldades existem e não são poucas. O preconceito é uma delas que aparece na reação de muitas pessoas ,infelizmente às vezes na própria família, algumas pessoas agem sem compreensão e aceitação do contexto incomum.
Diante da complexidade das características de seus filhos, há uma tendência na atitude dos pais, que é a descrença nas reais capacidades dos filhos o que interfere na expectativa e no investimento que fazem para o desenvolvimento das potencialidades cognitivas sociais e emocionais assim como dificultam as iniciativas de independência. Nesse caso incluímos a atitude de superproteção na qual os pais dedicam demasiada atenção e proteção impedindo as situações de realização individual e independente do filho.
E são justamente nas situações onde a descrença e a superproteção não prevalecem é que seus filhos especiais lhe trazem outras surpresas: a da manifestação de suas capacidades que se desenvolvem e afloram no mundo. Nessa situação alguns pais até consideram seus filhos uma caixinha de surpresa, pois não concebem quais e quantos mais passos seus filhos ainda podem dar, mas certamente vibram a cada novo degrau alcançado.
Uma outra tendência revela uma super expectativa, em que os pais esperam que os filhos superem todas as dificuldades e realizem coisas que na verdade estão fora de suas capacidades reais. Tal atitude também não colabora para o desenvolvimento desses filhos uma vez que acaba por afasta-los das situações em que verdadeiramente poderiam se realizar, alem de gerar uma enorme tensão emocional que dificulta, e as vezes até impede qualquer realização e afloramento das verdadeiras potencialidades e sentimentos.

A Vitória
No decorrer do caminho, isto é, durante a vida dessas crianças que se desenvolvem e se tornam adultos especiais, muitas vezes os pais se perguntam se está valendo a pena e reavaliam motivos para continuar investindo nessas pessoas especiais que participam tão intensamente de suas vidas.
Nesses momentos de reflexão é que podemos identificar a verdadeira vitória dessas famílias, que investem em um ser repleto de potencialidades, inclusive afetivas, mas que por razões desconhecidas do destino se encontram impossibilitadas ou com dificuldades de desenvolve-las de maneira independente. Surpreendentemente verificamos então seus filhos superando os limites, conquistando espaço, expressando suas vontades, realizando seu potencial, enfim tornando possível o que sem a atitude familiar abnegada, dedicada e afetiva ainda estaria na compreensão do impossível.
Com essas reflexões podemos pensar que a primeira situação de inclusão que vivência a criança especial é dentro da própria família. Abençoados são os pais e felizes são as crianças que fazem parte de um lar com disposição e amor para integra-las ao mundo e ajuda-las a viver!

Luciana Ibri
Psicoterapeuta
Consultório: (011) 37214862
E-mail: Krystalluz@aol.com



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